A viagem do Gabriel pelas terras Amnióticas E Intra-uterinas foi sossegada no geral, mas com um ou dois sustos pelo meio. A mãe passou um bocado difícil, como qualquer mãe tem que passar quando anda a carregar com mais uma boa meia dúzia de quilos às costas ou, neste caso, à barriga. Foram as costas, a cabeça e a paciência que tiveram que ser muito bem exercitadas com o dia-a-dia de alguém que trabalha e tem uma filha pequena.
Mas o dia chegou... E chegamos à véspera da saída do Gabriel com bastante calma e naturalidade. Nem parecia que estávamos prestes a receber um novo filho nos braços.

A saída para a Clínica naquele dia, deixando a Francisca ao cuidado da avó, não foi fácil. Deixar a Chica foi mais puxado do que parecia ou que a mãe queria dar a entender. Mas foi preciso respirar fundo e avançar para o próximo desafio.

Como já tínhamos passado por aquilo os dois, esperávamos já por grande parte dos acontecimentos e tudo nos pareceu familiar, ainda que ligeiramente diferente:
O internamento, desta vez foi com companhia.
Os preparativos, foram menos acompanhados e a bata era diferente, deixou-nos confusos.

A dilatação foi mais rápida e regular. A bolsa rebentou sozinha. A enfermeira foi mais prática e conhecedora mas menos presente. A companhia na sala de parto foi mais meiga.

O parto foi difícil, como deverão ser todos. Mais curto, mas igualmente doloroso e desesperante. A mãe chorou. De dores. De desespero. De incerteza. De medo. Mas deu tudo o que tinha e daria mais se fosse preciso.
O Gabriel lá pôs a cabeça de fora primeiro mas prendeu nos ombros. Quando dois pares de mãos o puxaram, lá saiu, com uma cor mais saudável que a irmã, ainda que igualmente sem choro até 1 minuto depois de estar cá fora.

Mas depois da tempestade veio a bonança. Neste caso, veio o choro, do Gabriel. Foi aspirado, limpo, vestido e muito fotografado. Depois veio para a mãe. E para o pai.

Mais uma etapa concluída...

Desta vez o Gabriel ficou connosco e já pode começar a mamar desde logo. E nós fomos com ele para o quarto. Ainda a tarde ía a meio. Agora era preciso recuperar.

Pouco depois foi a hora das visitas. Da família do pai e da mãe mas principalmente do encontro da Chica com o irmão e do reencontro com a mãe (ou se calhar foi mais o contrário). Tudo correu bem e foi hora de terminar aquele dia de encontros.

A mãe já se pôs a pé naquele fim de dia, muito dorida mas relativamente bem. Restava a noite, que foi muito longa, com um Gabriel chateado por estar cá fora e que não deixou a mãe dormir (a primeira de muitas?).
O dia seguinte foi mais um dia de reencontros. Reencontro com as fraldas, com o choro, com as cólicas...

No dia seguinte a hora de regresso era a mais esperada. De voltar ao conforto do lar, ainda que com dores e a precisar de descanso, mas agora munida de dois rebentos!

E terminada mais esta etapa, começa-se uma nova. A dos banhos no mudador, das noites com poucas horas de sono, dos choros intermináveis, dos mamilos doridos... e tudo o que ainda precisa de ir para o sítio neste tempo que é de reaprendizagem, a reviver tudo o que já passamos há quase 3 anos atrás... mas que ainda assim é novo!

Da parte da tua família: Parabéns Mãe